COMPOSITOR QUE VENDEU A SUA ALMA AO DEMÔNIO

COMPOSITOR QUE VENDEU A SUA ALMA AO DEMÔNIO

 

                                                       

A história da música contém alguns personagens exóticos. Um dos mais estranhos foi Niccolò Paganini (1782-1840), músico italiano célebre por seu singular virtuosismo violinístico. Paganini encantou as plateias da época com concertos inacreditáveis, onde sua habilidade técnica era explorada em grande medida. A influência de Paganini como violinista foi tão grande que outros músicos desejaram realizar em seus instrumentos o que o italiano fazia no violino. O compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886), por exemplo, decidiu-se a explorar ao máximo as potencialidades técnicas do piano após ouvir Paganini tocar.Mas uma pergunta intrigava os ouvintes de Paganini na época: como ele conseguia tocar daquele jeito? Paganini encantava as plateias que o assistiam executando suas próprias composições virtuosísticas (ele compunha músicas que apenas ele era capaz de tocar). Sua aparência cadavérica e seu estilo de vida desregrado contribuíram para o surgimento da lenda que se criou em torno de sua figura: dizia-se que Paganini havia vendido a alma ao diabo em troca de uma habilidade musical ilimitada. O ser humano, quando se depara com algo inédito e inexplicável, frequentemente busca explicações de “outro mundo” para aquilo que não consegue entender. Paganini era visto por alguns como o próprio diabo em pessoa, única explicação plausível para sua enorme habilidade no violino. Entretanto, é possível notar que Paganini soube tirar proveito de todas essas lendas para promover sua própria carreira. De 1828 a 1834, o violinista italiano realizou turnês de concertos pela Áustria, Alemanha, França e Inglaterra, ganhando muito dinheiro Niccolo Paganini morreu em Nice, França, em 27 de maio de 1840, mas o bispo de Nice recusou permissão para o caixão de enterro e passou vários anos em um porão. A fama que ele tecera em torno de si e de seu talento, forjada em um possível acordo com o diabo, foi decisivo para esta decisão eclesiástica, especialmente desde que Paganini se recusou a se aproximar da Igreja e refutar essas observações. Somente em 1876 foi permitido o funeral e os seus restos mortais foram transferidos para o cemitério em Parma.

Abaixo o vídeo com La Campanella de Paganini na execução de Gianluca Campi.