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ARTIGO=TEMPERAMENTO

ARTIGO=TEMPERAMENTO

               

                           

 

O processo de ajustar a altura (ou frequência) dos sons, tomando-se como referência uma altura-padrão, é chamada de diapasão. No decorrer da história essa altura-padrão sofreu diversas alterações, em diferentes regiões e culturas.

Atualmente, o diapasão tem sido admitido geralmente com a frequência entre 435 a 444 Hz para a nota lá.

Assim, a afinação está ligada ao ajuste dos intervalos ou da altura de um instrumento

musical.

O termo temperamento, refere-se ao processo de ajustar os intervalos da

escala de modo que alguns intervalos, como a oitava, sejam perfeitos (puros), e que alguns outros se tornando imperfeitos.

O temperamento pode, então, ser considerado uma espécie de afinação, na qual a

maioria ou todos os intervalos da escala são ligeiramente impuros.

Temperar implica em escolher quais os intervalos ou tonalidades conterão o erro, e quais soarão puros ou mais próximos da pureza.

O ato de temperar, em termos musicais, significa que algumas consonâncias serão alteradas imperceptivelmente em benefício de outras, de tal forma que se chegue a um equilíbrio harmônico entre todas elas.

Com isso, alguns intervalos serão ligeiramente “desafinados” em benefício de outros.

Em suma, temperamento musical é um esquema para dividir ou temperar a oitava. Ao longo dos tempos, foram propostos mais de 100 sistemas. Desses, não mais de 20 terão sido realmente usados com mais generalidade. Os vários sistemas ecoam os vários estilos e gostos musicais das suas épocas. E estes, por sua vez, também influenciaram os tipos de afinações adaptados.

Os intervalos entre as notas da escala deviam idealmente ser o mais parecidos possível com os intervalos naturais que aparecem espontaneamente entre os sons harmônicos. Porque, de um modo geral, é a existência de harmônicos comuns entre dois sons que faz com que eles soem bem, quando tocados simultaneamente. No entanto, isso levanta problemas porque não é possível num instrumento com teclado ou com trastos obter quintas, quartas e oitavas todas «justas» no sentido físico do termo, ou seja, perfeitamente consonantes. Ou seja, se afinarmos todas as quintas sem batimentos, haverá batimentos para a oitava. E as quartas não serão justas. Para se chegar a oitavas perfeitas, é necessário encurtar uma ou mais quintas. O temperamento de uma escala é exatamente o ajuste dos intervalos entre as notas, afastando-os do seu valor natural «harmônico», para fazer com que os intervalos caibam numa oitava.A escala diatônica baseia-se exatamente nos sons harmônicos. Como os harmônicos principais correspondem ao intervalo de oitava e de quinta, o que se pode tentar fazer é escolher as notas da escala de tal modo que cada intervalo de quinta e oitava seja o intervalo natural que aparece espontaneamente entre os sons harmônicos. No entanto, verifica-se que não é possível fazer uma escala em que os intervalos de oitava e de quinta sejam todos naturais. Isso pode ser visto através do chamado "círculo de quintas": se começássemos numa nota do piano e afinássemos outra por ela de modo a ficar afinada para um intervalo de quinta e depois afinássemos uma outra por essa do mesmo modo e por aí em diante, deveríamos verificar-se que ao fim de fazermos isso 12 vezes chegaríamos à mesma nota inicial (por exemplo, C G D A E B F#C#Ab Eb Bb F C). O problema é que não é isso que se verifica. Obtemos uma série em que a última nota (que é B#e não C) dista da primeira (C) da chamada «coma pitagórica». Os principais temperamentos históricos são:

Os sistemas de afinação natural – que procuram usar intervalos naturais ou justos, ou seja, intervalos que podem ser representados por números racionais (razões de números inteiros, com preferência pelos menores números inteiros possíveis). Usam-se razões de frequências baseados em proporções inteiras como as encontradas na série harmônica em vez de, por exemplo, dividir a oitava em partes exatamente iguais, e não representáveis por números racionais, como no caso do temperamento igual. Estes sistemas de afinação conseguem assegurar «a gama justa» para uma dada tonalidade (normalmente dó maior) mas, para notas estranhas a essa tonalidade, ocorre sempre algum desvio que é diferente para cada tipo de afinação.É o caso do sistema pitagórico, usado na Idade Média, em que se encurtava só uma das quintas, a «quinta do lobo». Usava-se o ciclo de quintas de Eb até G#, ficando com as oitavas afinadas e com todas as quintas perfeitamente afinadas excepto a última (G#-Eb), que ficava dissonante e cujo batimento «uivava» como um lobo porque ficava demasiado curta. Eram sobretudo as quintas e quartas que eram apresentados na sua forma idealmente pura e simples porque eram os intervalos considerados estáveis no contexto estilístico da época. As terceiras e sextas tinham algum batimento (menos do dobro das do temperamento igual), assim como os meios tons diatônicos, que eram pequenos, mas tomava-se partido do seu poder expressivo que criava uma cor harmônica nas cadências que eram usadas na época. No século XV, começou a surgir o gosto por terceiras naturais e os músicos começaram a experimentar usar formas modificadas da afinação pitagórica para obter terceiras mais perto do seu valor natural. O grande teórico da Renascença, Gioseffo Zarlino (1517-1590), defendia um sistema de entonação justa baseado nas terceiras, e não nas quintas, como no sistema pitagórico, já que as terceiras passaram a ser usados como pontos de resolução e as terceiras pitagóricas já não assentavam bem no contexto musical. O sistema que preconizava era o que se chama hoje o sistema ptolomaico, um dos sistemas propostos por Ptolomeu, no século II D.C. Os temperamentos mesotónicos – Pouco a pouco, as terceiras e sextas foram assumindo um papel mais relevante e, no início da Renascença, os músicos já desejavam encontrar novas afinações que tornassem um maior número delas naturais. Isso deu origem ao aparecimento dos temperamentos mesotónicos (ou do tom médio) muito usados nos séculos XVI e XVIII. Enquanto os sistemas de afinação natural procuravam aproximar-se dos intervalos ideais, os sistemas de temperamento implicavam desvios deliberados, mas pequenos, desses valores. Procurando obter terças justas, encurtavam fortemente 11 quintas, resultando uma delas demasiado grande (Mib-Lá, também chamada a «quinta do lobo»). Este sistema não é mau para as tonalidades mais clássicas mas gera uma gama cromática muito desigual. Não se pode tocar nalgumas tonalidades. Mas já muitos teóricos da Renascença descreviam outras alternativas em que os intervalos não eram números racionais (razões de inteiros) e que correspondiam ao que se chama hoje o bom temperamento e o temperamento igual. Os temperamentos irregulares – No temperamento mesotónico, para favorecer a «beleza», tentou-se ter tantas terceiras puras quanto possível, mesmo comprometendo as quintas e introduzindo alguns «lobos». No tempo de Bach, a partir do século XVIII, nos temperamentos irregulares, chamados também «sistemas bem temperados», favorecendo a «utilidade com variedade», optou-se por conseguir um contínuo de cores desde as terceiras puras às quintas puras, mas de modo a que todos os intervalos fossem utilizáveis e não tivessem «lobos». Estes temperamentos permitem tocar em todas as 24 tonalidades possíveis (12 maiores e 12 menores). Algumas quintas são mantidas perfeitas e outras são encurtadas. Podem-se usar todas as tonalidades, ficando, no entanto, cada uma com a sua «coloração diferente».

O temperamento igual – Favorecendo a «utilidade», decidiu-se temperar cada quinta pela mesma quantidade de modo a dispersar a coma pitagórica, deixando as terceiras ainda um tanto vibrantes mas já capazes de suportar tríades estáveis. É o temperamento adaptado atualmente no ocidente, em que a gama é dividida em 12 semitons exatamente iguais. As quintas, terças e quartas são «falsas», embora iguais entre si e desviando-se suficientemente pouco do ideal para serem suportáveis; o ouvido contemporâneo já se habituou a elas. Só as oitavas são perfeitas (embora, de facto, os afinadores de piano aumentem as oitavas nos graves e nos agudos, para terem em conta as características da percepção auditiva humana).

 

                                                RESUMO

 

Dentre as várias soluções apresentadas, a que vingou e é usada até os dias de hoje, foi a "escala de temperamento igual", de Andréas Werkmeister, proposta em 1691. Essa escala, hoje em dia chamada apenas de "escala temperada", possui também doze notas (sete "naturais" e cinco "acidentes"), mas em vez de preservar os intervalos "perfeitos" (frações de 2/3, 3/4, etc.), as notas foram levemente ajustadas, pois Werkmeister tomou o comprimento inteiro e dividiu-o exponencialmente em doze partes, baseado na raiz duo décima de 2. Isso fez com que a relação entre qualquer nota e sua vizinha anterior fosse sempre igual à raiz duo décima de 2 (1,0594631), o que permitiu, então, a execução de qualquer música em qualquer tonalidade, uma vez que as relações entre intervalos iguais são sempre as mesmas, não importa qual a referência (tonalidade) que se use.              

 

                                            

 Apesar de a escala temperada não possuir mais os intervalos acusticamente perfeitos de 3/2, 4/3, etc., os novos intervalos correspondentes têm erros muito pequenos, praticamente imperceptíveis para o ouvido.

                 

INSTRUMENTOS DE AFINAÇÃO TEMPERADA E NÃO TEMPERADA



Instrumentos de afinação temperada ou fixa, são aqueles em que o menor intervalo é o de meio tom; exemplo: violão, piano, acordeão, etc.

Instrumentos não temperados, são aqueles que não tem uma afinação fixa e os seus intervalos podem ser menores que meio tom; exemplo: violino, viola, etc.